5# INTERNACIONAL 27.11.13

     5#1 CAPITALISMO? LEVANTE A MO
     5#2 UM TIRO NO BOLSO
     5#3 ELA VOLTOU MAIS RADICAL
     5#4 S MUDOU O FIGURINO

5#1 CAPITALISMO? LEVANTE A MO
A China anuncia um plano com sessenta medidas para aprofundar as reformas em prol do mercado. At quando ser possvel fazer isso sem abrir a poltica?
TATIANA GIANINI

     Em um documento de vinte pginas que, tipicamente passou a ser chamado de A deciso, o Partido Comunista Chins listou sessenta reformas que abriro ainda mais a economia, um movimento que teve incio h 35 anos e desde ento no registrou grandes reveses. Entre os anncios est o de implantar novas zonas de livre-comrcio nos moldes da que foi inaugurada na periferia de Xangai no fim de setembro. Setecentas empresas estrangeiras e chinesas se instalaram ali, onde podem contratar os servios de bancos privados e trocar livremente iuanes por dlares. A notcia animou alguns funcionrios estrangeiros, que correram para tentar acessar os sites de jornais americanos e redes sociais como Facebook e Twitter, na esperana de que a abertura tambm se houvesse dado na internet. Em vo. Um dirio do Partido Comunista esclareceu: A zona livre de Xangai  uma zona econmica especial, mas no uma zona poltica especial. Ningum com a cabea no lugar poderia imaginar que a segunda economia do mundo, depois de sessenta anos de labuta, poderia fazer uma concesso poltica enquanto prospera dia aps dia. Ponto final.
A deciso anunciada na sexta-feira 15  uma maneira de tentar lidar com problemas pertinentes, como perspectivas de crescimento menor, o envelhecimento da populao, a corrupo e a ineficincia das empresas estatais. O plano contou com o aval dos 376 membros do partido e  capitaneado pelo engenheiro Xi Jinping, que assumiu a Presidncia em maro e, desde ento, concentrou tambm os cargos de secretrio-geral do Partido Comunista e presidente da comisso militar. Mesmo em um pas em que as lideranas so talhadas para no se destacar, Xi j  considerado o presidente mais poderoso desde Deng Xiaoping, o governante que teve a ousadia de iniciar a liberalizao econmica em 1978, apenas dois anos depois da morte do lder comunista Mao ts-Tung.
     Medidas de cunho mais social tambm entraram no pacote de Xi, mas tm alcance limitado e s foram tomadas para resolver os problemas econmicos. Ter quantos filhos quiser e mudar-se para a cidade so direitos irrefutveis em qualquer pas do Ocidente, mas na China eram inexistentes. O sistema de registro civil hukou, criado por Mao nos anos 50, obrigava os cidados a permanecer em sua cidade de nascimento. O medo na poca era incentivar a superpopulao nos centros urbanos. A regra que obrigava os casais a ter um nico filho, existente desde 1979, tinha o mesmo objetivo. Por sua causa, foram realizados inmeros abortos obrigatrios e milhes de bebs foram abandonados por seus pais. A consequncia no prevista disso  que a baixa taxa de natalidade diminuiu o nmero de trabalhadores e elevou os salrios na indstria, reduzindo a competitividade dos produtos feitos no pas. Alm do temor em relao a uma alta ainda maior dos salrios, o medo  no ter gente suficiente para gerar riqueza quando os mais velhos precisarem se aposentar. Com as novas mudanas, os chineses podero migrar livremente para cidades de mdio porte, para trabalhar, comprar imveis e outros bens, estimulando a economia.
     O Partido Comunista tambm decretou o fim dos campos de trabalho forado, em vigor desde 1957. Para esses locais, contados em cerca de 300, eram enviadas prostitutas, membros da seita Falun Gong e qualquer um que questionasse a ideologia dominante. Sem julgamento, as pessoas podiam ser detidas por trs ou quatro anos. No anncio oficial do fim dos campos, no houve nenhum discurso a favor dos direitos humanos ou da liberdade religiosa. Isso no existe. O que se quer , mais uma vez, solucionar um problema econmico: com a perseguio, empresrios estrangeiros ficaram com medo de enviar seus funcionrios para o pas. Para a comunidade internacional, esses campos eram retrgrados, diz o cientista poltico australiano Kerry Brown, diretor do Centro de Estados da China na Universidade de Sydney. As empresas estrangeiras os viam como verdadeiras prises.
     Com a adoo do capitalismo pelos chineses, mais de 600 milhes deixaram a pobreza extrema desde a dcada de 80. Para que o sistema continue dando certo ser imprescindvel mud-lo. Entre as prioridades est incentivar o mercado intemo e reduzir a ineficincia do Estado, vista como um entrave ao crescimento. Os preos da gua, do gs e da gasolina no sero mais determinados pelo governo e os setores ficaro abertos para a concorrncia. Xi quer evitar que questes como a burocracia partidria sejam um obstculo  implementao das reformas, diz Clodoaldo Hugueney Filho, que foi embaixador do Brasil em Pequim entre 2008 e 2013. Mas a China provavelmente nunca ser uma democracia no estilo ocidental.

UM MODELO PARA O BRASIL?
Quando decidiu abrir a economia, no fim dos anos 70 o governo chins espelhou-se nas bem-sucedidas experincias de Hong Kong e Singapura para criar zonas especiais com indstrias destinadas  exportao. A primeira zona chinesa desse tipo, em que h menos impostos, menos burocracia e mais facilidade para remessa de lucros para o exterior, foi inaugurada na cidade de Shenzen, em 1980. O negcio deu certo e hoje existem cinco. A zona inaugurada em Xangai, em setembro,  uma evoluo do modelo, com ainda mais liberdade. A ideia do governo  transformar Xangai em um centro financeiro. Se vingar, a experincia ser replicada. No Brasil, as zonas de livre-comrcio seguiram um caminho distinto. Criada em 1967, a Zona-Franca de Manaus tinha o objetivo de suprir o mercado domstico. Ao contrrio da China, que sempre buscou instalar suas zonas de comrcio em locais privilegiados, o governo brasileiro optou pela negligenciada e distante Amaznia. No se preocupou com o acesso logstico ou com a proximidade dos mercados consumidores. A burocracia continuou sendo um problema. Enquanto nas zonas chinesas ser possvel abrir uma companhia pela internet em at quatro dias, no Amazonas o tempo  de 68 dias, mais dois meses para a apreciao pela Zona Franca. Ainda que tenha problemas, a Zona Franca de Manaus deve ser preservada porque promove o crescimento regional, diz o economista chins Hsia Hua Sheng, professor da Fundao Getulio Vargas. Para criar um polo voltado  exportao, seria melhor o Brasil se inspirar na China. Segundo ele, essa seria uma maneira de a indstria brasileira ganhar competitividade, porque teria a chance de trabalhar lado a lado com multinacionais e ingressar na cadeia de suprimento mundial. Um pouco mais de exposio  concorrncia s faria bem  indstria, diz Sheng.
COM REPORTAGEM DE TAMARA FISCH


5#2 UM TIRO NO BOLSO
Para equilibrar a balana comercial entre Brasil e Rssia, exigncia de Putin, o Brasil vai comprar um sistema antiareo caro e que desagrada aos militares brasileiros.
LEONARDO COUTINHO

     A carne atormenta as relaes comerciais entre Brasil e Rssia. Volta e meia, esse pas, que  o segundo maior comprador de carne bovina, suna e de frango do Brasil, impe limites  importao desses produtos por meio do embargo a frigorficos que no estariam dentro dos padres sanitrios. Pode-se at criticar o excesso de zelo com a carne brasileira, mas no d para negar a eficincia do governo russo em defender os interesses de seu pas, ainda que os argumentos tcnicos sirvam apenas como forma de presso comercial. O mesmo no se pode dizer do governo brasileiro. No ms passado, o ministro da Defesa, Celso Amorim, assinou, com o seu equivalente russo, um compromisso para uma compra de armas que, em pelo menos dois aspectos,  um pssimo negcio. Pelo acordo, a Rssia vai vender ao Brasil trs sistemas de defesa antiarea do modelo Pantsir-S1, cada um com quatro ou seis veculos lanadores de msseis terra-ar, ao custo de 1 bilho de dlares. O Ministrio da Defesa garante que o preo ainda pode ser reduzido, mas a negociao j comeou mal: no ms passado, o Iraque comprou o mesmo tipo de equipamento por um quarto do valor unitrio que o Brasil est disposto a pagar.
     Alm de desperdiar o dinheiro do contribuinte, o governo brasileiro conseguiu desagradar at a caserna com a escolha dos Pantsir-S1. H pelo menos cinco anos as Foras Armadas pleiteiam um bom conjunto de baterias antiareas. Depois de muito estudo, em 2012 os militares distriburam a trinta fabricantes estrangeiros um relatrio com as especificaes desejadas para o equipamento. Entre outras exigncias, as baterias deveriam ser compatveis com os radares usados no pas, caber nos avies de carga da Fora Area Brasileira (FAB) e ser equipadas de msseis com alcance de 30 quilmetros. Pois o Pantsir-S1 no atende a esses requisitos. Pagaremos um preo aviltante por um equipamento que nem sequer poder ser integrado ao nosso sistema de comunicao militar, diz um oficial do Exrcito que participou das discusses sobre as necessidades da artilharia antiarea. No faltam modelos da concorrncia que, alm de mais baratos, cumprem com as exigncias (veja o quadro).
     A escolha do Pantsir-S1 foi feita depois de um encontro entre Putin e Dilma Rousseff em Moscou, em dezembro de 2012. Na ocasio, o presidente russo reclamou que a balana comercial entre os dois pases era muito favorvel ao Brasil  com um supervit de 1,3 bilho de dlares em 2011. Comprar armas russas seria uma maneira rpida de equilibrar a balana. Duas semanas depois da reunio, o embaixador da Rssia em Braslia, Sergey Akopov, recebeu do comando logstico do Ministrio da Defesa um pedido de informaes sobre a representao comercial no Brasil da fabricante do Pantsir-S1. No ms seguinte, os generais brasileiros foram informados de que a concorrncia internacional havia sido sustada e que o Planalto tinha combinado diretamente com os russos a compra das baterias. O governo brasileiro tambm fez chegar aos concorrentes o recado de que a presidente j havia tomado uma deciso poltica e que no se dessem ao trabalho de apresentar suas propostas. Em julho deste ano, o governo publicou no Dirio Oficial os novos requisitos do sistema, revogando o parecer tcnico anterior das Foras Armadas. O alcance dos msseis foi reduzido para 20 quilmetros e a compatibilidade com os avies da FAB foi suprimida. Tudo sob medida para comprar o Pantsir-S1. O governo alega que os russos prometeram transferncia irrestrita de tecnologia, mas a verdade  que nem sequer foi dada a chance aos concorrentes de oferecer o mesmo. Alm disso, a promessa  pouco verossmil, a julgar pela m fama do servio de ps-venda dos fabricantes de armas russos. Os governos que recorrem  indstria blica russa so geralmente aqueles que no podem comprar armas de democracias ocidentais, como a Sria, ou cujos integrantes querem embolsar uma comisso sem ser incomodados, diz Ilan Berman, especialista em Rssia do American Foreign Policy Council, com sede em Washington. Em tempo: nas ltimas semanas, a Rssia revogou o embargo a uma dzia de frigorficos brasileiros.

S COMBINARAM COM OS RUSSOS
As baterias russas de mdia altitude escolhidas pelo governo brasileiro para reforar a defesa antiarea durante a Olimpada de 2016 chegam a custar o triplo das concorrentes e no podem ser transportadas pelo ar, como queriam os militares.

MODELO Pantsir-S1
PAS Rssia
PREO UNITRIO MDIO (em milhes de dlares) 330
ALCANCE 20 Km
ALTITUDE (em metros) 15.000
TRANSPORTE AREO No

MODELO Iris-T SLM
PAS Alemanha
PREO UNITRIO MDIO (em milhes de dlares) 150
ALCANCE 35 km
ALTITUDE (em metros) 20.000
TRANSPORTE AREO Sim

MODELO Aster 30 Samp/T
PAS Alemanha, Itlia, EUA e Frana
PREO UNITRIO MDIO (em milhes de dlares) 130
ALCANCE 30 Km
ALTITUDE (em metros) 20.000
TRANSPORTE AREO Sim

MODELO Spyder MR
PAS Israel
PREO UNITRIO MDIO (em milhes de dlares) 120
ALCANCE 35 Km
ALTITUDE (em metros) 16.000
TRANSPORTE AREO Sim

MODELO BAMSE
PAS Sucia
PREO UNITRIO MDIO (em milhes de dlares) 100
ALCANCE 20 Km
ALTITUDE (em metros) 15.000
TRANSPORTE AREO Sim

MODELO Akash
PAS ndia
PREO UNITRIO MDIO (em milhes de dlares) 100
ALCANCE 30 Km
ALTITUDE (em metros) 18.000
TRANSPORTE AREO No


5#3 ELA VOLTOU MAIS RADICAL
A socialista Michelle Bachelet vence o primeiro turno no Chile com promessas que dificilmente conseguir cumprir.
NATHALIA WATKINS, DE SANTIAGO

     Nos anos em que governou o Chile, de 2006 a 2010, a pediatra e me de trs filhos Michelle Bachelet foi a maior representante da esquerda vegetariana, termo cunhado pelo peruano lvaro Vargas Llosa para definir um grupo de polticos da Amrica Latina. Embora defendessem ideias prximas do socialismo, seus integrantes, uma vez no poder, mantinham polticas pragmticas e respeitavam as instituies democrticas. Eram exemplos a ser seguidos, em oposio ao time dos carnvoros, integrado, entre outros, por Hugo Chvez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolvia. Bachelet continua distante dos exemplares bolivarianos, mas durante a ltima campanha para presidente do Chile ps os caninos  mostra. No domingo 17, ela saiu na frente na corrida para ocupar novamente o Palcio de la Moneda. Obteve 46,7% dos votos no primeiro turno e dever confirmar o favoritismo em 15 de dezembro, contra a lder da centro-direita, Evelyn Matthei. Suas propostas no pem em risco a democracia, mas ameaam o modelo econmico que colocou o pas na porta de entrada no Primeiro Mundo. Bachelet promete reformar a Constituio, permitir a reeleio, eliminar o lucro na educao, promover o avano estatal no sistema de aposentadorias, reduzir os estmulos para investidores estrangeiros e nacionais e elevar impostos s empresas. O Chile precisa de reformas estruturais, e agora h mais fora poltica e social para fazer isso, disse ela durante sua campanha.
     Resumindo a lista, Bachelet quer aumentar os gastos pblicos em 3 pontos porcentuais, para 25% do PIB, segundo o economista chileno Francisco Klapp. Foi com essa bandeira que ela trouxe para junto de si os estudantes que nos ltimos anos invadiram as ruas para protestar contra a participao privada no sistema educacional e pedir mais benefcios sociais. Os chilenos hoje percebem o Estado como um bom provedor de servios e querem receber mais dele, diz o socilogo Alberto Mayol, da Universidade do Chile. H uma imagem de que o Estado  um ente mgico, que sempre gerenciou bem os problemas em momentos difceis. Bachelet incluiu em sua coalizo cones das revoltas estudantis e nomes do Partido Comunista, atraindo os votos da juventude. Entre eles est a musa dos movimentos estudantis, Camila Vallejo, e sua companheira, Karol Cariola (veja o quadro na pg. 108). O Chile propiciou, assim, uma amostra de como as grandes manifestaes de rua podem influenciar as urnas  nesse caso, com um retrocesso.
     Seria mais preocupante se no houvesse dois motivos para acreditar que, mesmo eleita, Bachelet dificilmente conseguir executar todas as reformas que pretende. O primeiro so os contrapesos colocados pela democracia chilena. A aliana da socialista obteve nas ltimas eleies a maioria simples no Congresso, o que  suficiente para realizar reformas trabalhistas e tributrias, mas no ter qurum para alterar a Constituio. O principal argumento para fazer isso  que a Carta foi escrita durante a ditadura de Augusto Pinochet. Contudo, 91 dos 120 artigos j foram corrigidos desde ento em 24 reformas constitucionais. Sobrou pouco ou quase nada para ser remendado. O segundo motivo  que  quase impossvel jogar fora os ganhos evidentes que a populao chilena teve depois da liberalizao da economia e do estmulo s exportaes, um modelo imitado depois pela Colmbia, pelo Mxico e pelo Peru. Ningum quer perder a galinha dos ovos de ouro que temos em mos, diz o cientista poltico Patricio Navia, da Universidade Diego Portales. Se o Chile mantiver o crescimento dos ltimos quatro anos, em 2018 poder alcanar a renda per capita de 22.000 dlares anuais, o suficiente para ser considerado uma nao desenvolvida. O PIB quintuplicou desde a dcada de 90 e o pas  o que mais recebe investimentos estrangeiros na Amrica Latina depois do Brasil. A relao da dvida pblica com o PIB  baixa, de 12%, menos de um quinto da brasileira, o que permitiria at algum aumento de programas sociais sem abrir mo da responsabilidade fiscal. A maior dificuldade ser administrar expectativas to elevadas entre os eleitores. Em seu primeiro ano de governo, Bachelet sofreu bastante com os protestos estudantis. O caos poderia se instalar novamente. 

BELAS E EQUIVOCADAS
As revoltas estudantis mudaram a cara da poltica chilena  que ficou mais bonita, mas no necessariamente mais esperta. Em sua coalizo partidria, Bachelet incluiu as mais belas integrantes do movimento juvenil. Entre elas, as militantes do Partido Comunista Camila Vallejo, de 25 anos, e Karol Canola, 26. So elas atualmente os talisms para a popularidade de Bachelet. Camila, eleita para a Cmara dos Deputados, teve a maior votao de um dirigente comunista desde o fim da ditadura. Ganhou 43,8% dos votos no distrito de La Florida. No ano passado, ela e Karol participaram de uma peregrinao a Cuba e se reuniram com o ditador Fidel Castro. Para ns, Fidel  uma bssola, disse Camila. Foi assim que ela explicou os protestos no Chile para um interlocutor cubano: Apesar de as redes sociais serem uma ferramenta prpria do capitalismo, ns as utilizamos muito nas mobilizaes estudantis. H duas semanas, o posto de presidente da Federao de Estudantes da Universidade do Chile (Fech), antes ocupado por Camila, foi dado a Melissa Seplveda. Sua proeza intelectual  se identificar com o anarquismo, que  contra qualquer autoridade, enquanto fala em lutar por uma sociedade comunista. Ela j avisou que 2014 ser um ano de mobilizao. O movimento estudantil chileno provou que lderes bonitas, rebeldes e desmioladas so boas de voto. Elas vo dar trabalho a Bachelet.


5#4 S MUDOU O FIGURINO
O contedo  o mesmo de sempre no novo gabinete de Cristina Kirchner, que voltou de licena mdica disposta a aprofundar sua desastrosa poltica econmica.

     O fracasso em eleies menos importantes no meio do mandato  sempre um bom empurro para que polticos com pretenso de se perpetuar no poder promovam mudanas. No pleito legislativo de outubro, a coalizo da presidente argentina Cristina Kirchner levou apenas 28% dos votos nacionais. Durante a derrota nas urnas, a presidente estava em um hospital recuperando-se de uma cirurgia para a retirada de um cogulo no crebro. Ao retornar ao batente, na semana passada, ela tratou de aventar algumas novidades. As roupas pretas do luto pela morte do marido e antecessor na presidncia, Nstor Kirchner, em 2010, foram amenizadas com uma camisa branca justa. Foi assim que ela apareceu em um curto filme caseiro, gravado pela filha Florencia. Cristina tambm passara a dividir o seu tempo de trabalho com os afagos de um co da raa mucuches, um presente do irmo do falecido presidente venezuelano Hugo Chvez, Adn. O animal foi batizado de Simn, uma homenagem ao venezuelano Simn Bolvar, heri da independncia de vrios pases da Amrica Latina.
     Ficam como esto a inflao anual acima dos 20%, o intervencionismo estatal, a escassez de dlares, o controle de preos, o esgotamento das reservas internacionais e os ataques aos empresrios. Nos dois anos que ainda lhe restam de mandato, Cristina no modificar o cerne de sua poltica econmica.  preciso continuar aprofundando o modelo, disse a presidente para um pblico composto de militantes na Casa Rosada. Alm do guarda-roupa, Cristina renovou o seu gabinete. A mais vistosa promoo foi a de Axel Kicillof a ministro da Economia. Integrante do grupo juvenil La Cmpora, liderado pelo filho de Cristina, Mximo, ele  o arquiteto da estatizao da petrolfera YPF, em 2012. Quem se ops ao confisco, alegando que isso afastaria investidores, foi chamado por ele de palhao e imbecil. O termo segurana jurdica lhe causa nsias. Sua ascenso  a prova de que tudo ficar como estava. No vamos fazer nada que gere mudanas bruscas na economia, disse Kicillof.


